Smart City Expo Curitiba debate “Inovação e Negócios Disruptivos” junto a especialistas e autoridades

“Inovação e Negócios Disruptivos” foi uma das temáticas debatidas no Smart City Expo Curitiba. O maior evento brasileiro de cidades inteligentes foi realizado nos dias 24 e 25 de março, no Expo Barigui, e reuniu um público de 10,2 mil pessoas. 


“Tecnologias Inteligentes para Cidades”, “Governança em uma Sociedade Inteligente”, “Mobilidade Inteligente para o Futuro” e  “Cidades Sustentáveis” também foram temas dos painéis realizados durante o Smart City Expo Curitiba.

Veja no texto abaixo como foram as sessões da temática “Inovação e Negócios Disruptivos”.


Como as autoridades locais podem liderar os caminhos da Transformação Digital dos serviços públicos?

Há a necessidade de gerar valor à sociedade com a transformação digital, e a integração de tecnologias e soluções para as infraestruturas ou serviços públicos pode parecer fácil para quem tem orçamento disponível. Entretanto, esses investimentos precisam encontrar um propósito e trazer eficiência para evitar a integração de soluções digitais somente pelo uso da tecnologia.

Compartilhando respostas práticas para a transformação digital, essa sessão temática reuniu especialistas no assunto: Alexandre Jarschel de Oliveira (secretário municipal de Administração, Gestão de Pessoal e Tecnologia da Informação da Prefeitura de Curitiba), Edelvicio Souza Junior (professor da Fundação Dom Cabral), Juan Sebastián González Flórez (secretário de despacho da Secretaría de Innovación Digital de la Alcaldía de Medelellín), Rodolpho Zannin Feijó (chefe de relações internacionais da Prefeitura de Curitiba), Rubens Del Monte (diretor-executivo Phygital na Minsait) e Susanna Marchionni (CEO Brasil do Planet Smart City).

Em sua palestra, Flórez lembrou que nos anos 90 Medellín, na  Colômbia, já foi considerada a mais violenta do mundo. Segundo Flórez, apesar da localização geográfica aparentemente desfavorável, a cidade começou a se desenvolver com a instalação de indústrias têxteis, mas a urbanização descontrolada criou bairros desconectados – facilitando a entrada do narcotráfico e, consequentemente, da violência. Esse cenário gerou uma desaceleração econômica, entre outros problemas. 

Depois, com a implantação do metrô, a cidade ganhou outros ares graças à interconexão facilitada dos bairros, de acordo com Flórez. Seguindo esse trilho de desenvolvimento, Medellín ganhou centros de pesquisas que reúnem startups, empresas, ONGs e  órgãos do governo voltados à inovação.

Em 2013 a cidade foi eleita a mais inovadora do mundo pelo concurso City Of The Year, realizado pelo Wall Street Journal em parceria com o Citigroup. A partir de 2020, foram criados vários centros de tecnologia da informação para capacitação de jovens e profissionalização tecnológica em geral. 

Hoje, conforme Flórez, Medellín é uma cidade movida ao gerenciamento de dados para a tomada de decisões e democratização de temas atuais como metaverso, robótica e gestão de dados para a população.

O professor da Fundação Dom Cabral afirmou que, atualmente, quem não tem dados não tem opinião. Segundo Junior, cidades inteligentes são aquelas que incluem todos os cidadãos. “Quarenta milhões de brasileiros não têm acesso à internet, são excluídos”, pontuou.

Estratégias de inovação para cidades

As estratégias de cidades inteligentes implicam em melhorias substanciais na eficiência dos serviços públicos prestados e uma gestão mais sólida das cidades. Também desencadeiam novas oportunidades de crescimento na economia do conhecimento. 

Alessandra de Albuquerque Reis (coordenadora de projetos da Curitiba Agency for Development and Innovation), Andrea Sorgenfrei (head da Pinó na Gazeta do Povo), Igor Oliveira  (presidente da Agência Candeias de Desenvolvimento e Inovação da Prefeitura de São Paulo), Juan José Prada Nicoletti (intendencia de Montevideo) e Paulo Almeida (diretor de negócios da Biopark) participaram desse painel com o objetivo de entender como as cidades podem integrar a inovação urbana como um motor estratégico para o desenvolvimento econômico e mudanças transformadoras. 

Nicoletti abriu a plenária falando sobre como as inovações nas cidades afetam o serviço público. Ele falou sobre a importância de projetos-piloto para incentivar que as cidades sempre experimentem novas ações e,assim, melhorarem os serviços públicos. Nicoletti também mostrou iniciativas de Montevideo, como a troca de cavalos que puxavam carroças para motos. 

A coordenadora de projetos da Curitiba Agency for Development and Innovation discorreu sobre a forma que as cidades têm usado novas tecnologias – como NFTs, blockchains, criptomoedas e metaverso. Alessandra apresentou Curitiba como um case de sucesso. Durante a pandemia, a capital paranaense usou a inteligência artificial para atender a população. Hoje, segundo Alessandra, essa tecnologia continua sendo utilizada por curitibanos que necessitam de ajuda com situações locais, como lixo e IPTU.


Para o presidente da Agência Candeias de Desenvolvimento e Inovação da Prefeitura de São Paulo, há uma necessidade em entender o cidadão e a sua cultura para, então, criar um projeto de gestão pública de sucesso. Oliveira falou sobre o Candeias Card, um “cartão para tudo” –   desde a efetuação de pagamentos até a consulta de dados sobre a presença do seu filho na escola.

O diretor de negócios da Biopark apresentou a ideia de um parque tecnológico em Toledo (PR) que surgiu a partir da forma como o empreendedorismo afeta a cidade e as diversas oportunidades que possibilita.

Govtech: tecnologia para alavancar os governos

As Govtech estão surgindo como uma nova tendência nos debates sobre cidades inteligentes. Elas representam as diferentes soluções tecnológicas que podem potencializar a transformação digital dos governos. Este é um setor em rápido crescimento no qual startups e instituições públicas podem se beneficiar com a inovação para melhor atender às necessidades dos cidadãos e aprimorar os governos em diferentes níveis. 

Adinaldo do Nascimento Santos (prefeito de Indiaroba, no Sergipe), Ana Carolina Benelli (do Instituto de Tecnologia e Sociedades - ITS Rio), Ewaldo Del Valle (head de administração pública e da unidade de negócios da Indra | Minsait) e Rhodrigo Deda (coordenador de inovação da OAB-PR) deram exemplos práticos e soluções que as empresas estão desenvolvendo para melhorar os serviços públicos e como as autoridades públicas estão tentando aproveitar a inovação para integrar os avanços tecnológicos. 

Deda foi o primeiro palestrante desta sessão temática. Ele falou sobre os próximos passos de inovação para as cidades. O coordenador de inovação da OAB-PR disse que apoia a ideia de ousar, experimentar e testar novas ideias novas. Porém, alertou que essa experimentação deve ser  “pequena, barata e rápida”.

Santos compartilhou um case de sucesso da cidade em que é prefeito: o Banco Popular de Indiaroba – exclusivo do município. Em paralelo ao banco, foi desenvolvida uma moeda social para fortalecer a economia local, principalmente no pós-pandemia, estabelecendo um elo entre o produtor e o consumidor.

Em sua palestra, Del Valle disse que a mão de obra pode, em breve, frear a inovação. Partindo desse princípio, deu exemplos de como criar um sistema de inovação.

Serviço

O  Smart City Expo Curitiba reuniu dez mil pessoas de 30 nacionalidades, presencialmente e online. Para saber mais sobre tudo o que aconteceu no evento, acesse o site: https://www.smartcityexpocuritiba.com/